É com grande pesar que o Brasil se despede de Luis Fernando Verissimo, que faleceu aos 88 anos. O escritor gaúcho, celebrado por seu humor refinado, linguajar acessível e olhar crítico e sensível sobre o cotidiano, deixa uma obra marcante e um legado raro, reverenciado por gerações de leitores.
Filho do também escritor Érico Verissimo, Luis Fernando foi um dos autores mais prolíficos da literatura nacional contemporânea. Ao longo de seis décadas de carreira, transitou com leveza entre a crônica, o conto, a literatura infantil e o romance, tornando-se voz inconfundível nos jornais e livros do país. Entre suas principais obras estão “O Analista de Bagé”, “Comédias da Vida Privada” — eternizada em série televisiva —, “As Mentiras que os Homens Contam” e “Ed Mort”. Sua escrita, marcada pela ironia inteligente e humor sutil, explorava as idiossincrasias do brasileiro diante dos dilemas do dia a dia.
Além de escritor, Verissimo foi um dos principais cronistas da imprensa brasileira, tendo colunas em jornais como O Globo, Zero Hora e O Estado de S. Paulo. Suas tiradas sobre política, sociedade e cultura conquistaram leitores fieis e influência imensa sobre o texto jornalístico contemporâneo.
Ligado à música — era saxofonista amador —, Luis Fernando também foi roteirista, tradutor, chargista e participou ativamente do cenário cultural brasileiro. Seus personagens emblemáticos e frases espirituosas fizeram rir — e pensar — milhões de brasileiros e estrangeiros.
A morte de Luis Fernando Verissimo representa uma perda irreparável para a literatura e para o humor inteligente do país. Sua obra permanecerá como um espelho carinhosamente crítico da sociedade brasileira, acessível a leitores de todas as idades. Ficam a saudade e o agradecimento de todos aqueles que aprenderam a enxergar a vida com um olhar mais leve e irônico, graças à genialidade discreta de Verissimo.